Mineração

Mais do que nunca, a Copebras põe o foco no controle dos custos

Controlada pelo conglomerado chinês CMOC, a COPEBRAS mantém a expectativa de crescer neste ano apesar dos efeitos da pandemia do coronavírus

Postado dia 18/11/2020 por FRANÇOISE TERZIAN
Mais do que nunca, a Copebras põe o foco no controle dos custos

James Keith Fowler, CEO da CMOC Brasil: atenção aos detalhes para manter a rentabilidade / Foto: Leandro Fonseca

O protagonismo do agronegócio na economia brasileira fez brilhar os olhos do conglomerado chinês CMOC (China Molybdenum Company), que desembarcou no país no fim de 2016, quando comprou os ativos de nióbio e fosfato da mineradora Anglo American no Brasil. Listada nas bolsas de valores de Hong Kong e Xangai, a companhia chinesa expandiu sua atuação fora da Ásia e hoje opera em economias como Estados Unidos e Austrália. Entre as três principais produtoras de metais básicos do mundo em volume, a CMOC é a segunda maior produtora de fertilizantes fosfatados do Brasil. Com seis unidades instaladas nos estados de Goiás e São Paulo, ela atua na mineração e no beneficiamento de nióbio e fosfato — até dezembro de 2019, denominadas Niobras e Copebras, respectivamente. Após essa data, elas passaram a atuar como unidades de negócios da CMOC Brasil.

O maior negócio dos chineses no Brasil é o de fosfato, produto usado na indústria agrícola, química, alimentícia, de bebidas e de nutrição animal. Esse negócio proporcionou um faturamento de quase 410 milhões de dólares em 2019, o correspondente a 62% da receita líquida da empresa. O setor agropecuário é o maior comprador, com 95% do total, dos fertilizantes, fosfatos bicálcico e ácidos fosfóricos da CMOC. O negócio de nióbio, por sua vez, gerou perto de 253 milhões de dólares em vendas no ano passado.

Em 2020, os impactos da pandemia do coronavírus foram minimizados pelo aumento no consumo de alimentos, o que estimulou a demanda em nível mundial e tem contribuído para a lenta recuperação dos preços. A alta mais contundente começou a ser observada a partir do mês de agosto, com a normalização do consumo no mercado nacional, as boas perspectivas nos Estados Unidos e a retomada das demandas indianas no mercado internacional. “Isso tudo tem contribuído para aumentar a procura e equilibrar a demanda pelos fertilizantes”, diz James Keith Fowler, CEO da CMOC Brasil.

Com isso, apenas nos últimos dois meses, a cotação dos fertilizantes aumentou 20%, o equivalente à desvalorização dos produtos no ano passado. Entretanto, tal desempenho ainda não foi suficiente para elevar as cotações aos melhores índices observados no histórico dos fertilizantes. Por outro lado, registrou-se uma forte valorização do preço dos DCPs (fosfato bicálcico, usado na suplementação alimentar de gados, porcos e aves), puxado pela maior demanda mundial por proteína animal, sobretudo da China.

Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos, observa que a China tem gerado uma forte demanda de minérios para os mais variados setores — do agronegócio à indústria automotiva e de construção. “Como forma de acelerar a atividade econômica em tempos de pandemia, vários países focaram em projetos variados, como os de infraestrutura, o que levou a um aumento da demanda de minério de ferro.”

Aliado a uma perspectiva de melhoria nos índices econômicos, esse cenário aponta para uma renovação da confiança no mercado de fertilizantes e reflete um panorama de recuperação gradual e positiva. Segundo a consultoria inglesa Data Bridge Market Research, o mercado global de fosfato deverá crescer a uma taxa de 2% ao ano, de 2020 a 2027, puxado por fatores como o aumento da produção agrícola e da população. Além disso, o crescimento da demanda por alimentos e bebidas embalados criará ainda novas oportunidades para o mercado de fosfato nos próximos sete anos.

A pandemia não parou a CMOC, embora algumas atividades tenham desacelerado e o plano de contingência tenha reduzido significativamente a quantidade de pessoas trabalhando nas fábricas. A produção de fertilizantes, no entanto, ficou até acima do planejado no primeiro semestre. A postergação de algumas paradas de manutenção colaborou com a alta produção.

Ainda não é possível prever o real impacto da pandemia no faturamento de suas duas divisões. Independentemente de qual seja a tendência, a CMOC acredita que os efeitos poderão ser minimizados, considerando as projeções de crescimento de 4,1% para o PIB do agronegócio, segundo estimativas da Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento, assim como a maior demanda por parte da cadeia produtiva da indústria do aço e de outros setores. Esse novo cenário pode contribuir para atenuar os impactos.

Do ponto de vista operacional, a CMOC traçou uma série de medidas — de âmbitos técnico, operacional, gestão e financeiro — para assegurar a continuidade e a eficiência das operações e suprir o abastecimento das diferentes demandas. Isso deve ajudar a garantir a sustentabilidade e, quem sabe, a expansão dos negócios. “Quando falamos em mineração e commodities, de forma geral, onde mais podemos agir é no controle dos custos para aumentarmos a rentabilidade”, diz Fowler. “Considerando a longa projeção de vida útil de nossas minas, seja explorando-as a céu aberto, como é feito hoje, seja de forma subterrânea, no futuro, entendemos que os avanços em excelência operacional e a otimização dos processos para obter uma produção mais estável contribuem para que a companhia se torne mais rentável e produtiva, garantindo um crescimento sustentável.”

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