Bens de Capital

Com a Stara, a tecnologia gaúcha avança no campo

Lançando em média cinco novos produtos a cada ano, a fabricante de implementos agrícolas STARA obteve em 2019 quase metade das vendas com produtos que chegaram ao mercado nos últimos três anos

Postado dia 18/11/2020 por ARLETE LORINI
Com a Stara, a tecnologia gaúcha avança no campo

Átila Stapelbroek Trennepohl, presidente da Stara: investimento em pesquisa / Foto: Germano Lüders

A produção agrícola brasileira vem repetindo recordes – a estimativa é colher uma safra superior a 250 milhões de toneladas de grãos em 2020. Grande parte desse desempenho se deve ao aumento de produtividade, alavancado principalmente pelas novas tecnologias que chegam ao campo. E a fabricante gaúcha de implementos agrícolas Stara tem desfrutado desse bom momento em que vive o setor. É dona de uma ampla linha de produtos, com destaque para as máquinas de plantio, distribuição e pulverização, atende diferentes culturas, como soja, milho, algodão e arroz. Em comum, seus produtos carregam muito investimento em tecnologia, como plantadeiras georreferenciadas que se comunicam entre si, via sistema de rádio, impedindo a sobreposição de sementes durante o plantio.

Melhor empresa do setor de bens de capital, a Stara faturou 256,9 milhões de dólares em 2019, um crescimento superior a 15%, em relação ao ano anterior. O lucro obtido foi de 30,3 milhões de dólares, representando um retorno superior a 21% sobre o seu patrimônio. “Apostamos no desenvolvimento de novos produtos e na proximidade com nossos clientes”, diz Átila Stapelbroek Trennepohl, bisneto do fundador da Stara, que assumiu a presidência da empresa em março deste ano. “Precisamos entender os produtores e trabalhar sempre à frente de suas necessidades.”

Quase a metade das vendas da Stara em 2019 foi obtida com produtos lançados nos últimos três anos. A área de pesquisa e desenvolvimento reúne 160 funcionários e recebeu investimentos que representaram 5,4% do faturamento da Stara no último ano. Em média, a empresa lança cinco novos produtos ao ano e registra nove patentes. Uma das inovações da Stara está na linha de pulverizadores com barras centrais para aplicação dos defensivos, um diferencial em relação ao mercado, que oferece os equipamentos com o dispositivo na parte traseira. “A estabilidade da barra central garante uma eficiência na aplicação do defensivo 58% maior do que a traseira”, afirma Trennepohl.

Além de máquinas para aumentar a produtividade e serem mais sustentáveis, outro desafio da Stara é aliar as novas tecnologias à facilidade de operação. “Sabemos que existem deficiências na mão de obra no campo”, diz Trennepohl. “A complexidade está em fazer equipamentos de alta performance e simplicidade na operação.” No último ano, para auxiliar o pós-venda, a Stara desenvolveu o Conecta, um sistema que permite ao operador na lavoura acionar remotamente a fábrica para ajustes na máquina. O serviço já está disponível em boa parte das máquinas da Stara e pelos menos 80% das demandas foram solucionadas de forma remota. “Passamos a resolver problemas dos clientes em um tempo médio de 28 minutos, ante até 48 horas de antes”, diz Trennepohl. “Um erro de calibração pode levar a perdas gigantes.”

A Stara tem apostado cada vez mais na fabricação de máquinas maiores e de maior valor agregado. Em 2013, a maior plantadeira que a empresa comercializava tinha 16 metros de largura para o trabalho, enquanto as atuais chegam a 28 metros. “Crescemos mais nas grandes propriedades, mas os pequenos e médios produtores ainda são bem representativos no nosso negócio”, diz Trennepohl. Com 60 anos completados em agosto, a Stara foi fundada pelo imigrante holandês Johannes Bernardus Stapelbroek, na cidade de Não-Me-Toque, no norte do Rio Grande do Sul, onde ainda fica a sua matriz. Possui mais duas filiais, nos municípios gaúchos de Carazinho e Santa Rosa, além de uma fábrica na Argentina, inaugurada em 2019. Até o final do ano, também deve estar operando a Stara Rússia, um escritório para atividades comerciais e de atendimento de pós-venda. O Leste Europeu está entre os principais mercados das exportações da Stara, que responderam por quase 9% de seu faturamento em 2019.

Com o negócio praticamente alheio à pandemia, a Stara registrou um crescimento de quase 10% nas suas receitas no primeiro semestre deste ano e precisou, inclusive, aumentar em cerca de 7% o seu quadro de funcionários, que chegou a 2.776 pessoas. Operando à plena capacidade, a empresa vai investir 80 milhões de reais, nos próximos dois anos, para a renovação do parque fabril da matriz e na construção de uma nova unidade, em Santa Rosa, que deverá aumentar em cerca de 15% o seu faturamento anual. “O agronegócio é perene, produz itens básicos da alimentação”, diz Trennepohl. “Ainda temos muitas oportunidades para crescer nesse mercado.”