Indústria da Construção

Tenda aposta em casas que já vêm prontas de fábrica

A paulista TENDA aposta na industrialização dos processos para triplicar sua capacidade construtiva e atender à demanda por habitação popular

Postado dia 18/11/2020 por GABRIELLA SANDOVAL
Tenda aposta em casas que já vêm prontas de fábrica

Rodrigo Osmo, presidente da Tenda: foco no programa Casa Verde e Amarela / Foto: Germano Lüders

Em 2012, a Tenda entrou em crise existencial. Na época, a empresa pertencia à Gafisa, que tinha um dos piores desempenhos do setor, com uma rentabilidade 79% abaixo da média das concorrentes. “Paramos para refletir se, de fato, tínhamos competência para nos diferenciar no mercado de baixa renda”, lembra Rodrigo Osmo, presidente da Tenda. Foi quando a companhia decidiu concentrar seus esforços em regiões e públicos específicos. A resposta veio oito anos depois. Com foco em empreendimentos para as faixas 1,5 e 2 do programa federal Casa Verde e Amarela (PCVA), voltado para famílias com renda mensal bruta de até 4.000 reais, a Tenda encerrou o ano passado com um lucro líquido de quase 76 milhões de dólares, o que significou um retorno de 28% sobre o patrimônio. “Com disciplina de execução, conseguimos cumprir aquilo que nos dispusemos a fazer: oferecer a melhor oferta com preços abaixo da concorrência para um extrato de menor renda”, diz Osmo.

O que ele não contava era que, poucos meses depois, a pandemia colocaria em xeque a resiliência do mercado imobiliário. “Nossa grande preocupação era a dificuldade que as pessoas teriam de comprar imóveis diante da eventual queda da renda e da impossibilidade de ir presencialmente aos estandes”, lembra Osmo. Mas a reação da Tenda foi rápida e, em poucas semanas, todo o processo de compra – do envio dos documentos à assinatura do contrato – passou a ser feito de forma online. Outra lição da pandemia foi que processos digitais são capazes de deixar os compradores mais à vontade. “Vários dos nossos clientes eram intimidados pelo processo, seja por não saberem responder a algumas perguntas, seja por se sentirem desconfortáveis em expor sua situação financeira. Essa exposição pública foi resolvida com o preenchimento de dados online.”

Com 14 empreendimentos lançados de abril a junho deste ano, a Tenda registrou nesse período 689,2 milhões em vendas brutas – o melhor trimestre da sua história. No entanto, apesar da alta demanda por habitação popular, a paralisação de obras e o aumento de gastos fez com que, de janeiro a junho, o lucro líquido da empresa fosse de 57,9 milhões, menos da metade do resultado do mesmo período de 2019. O grande desafio da companhia agora é fazer mais, com menos, tornando suas operações mais eficientes e sustentáveis.

Construção em fábrica
Para essa nova fase, a Tenda tem uma arma: a construção off-site. Por esse método construtivo, os imóveis são produzidos em fábrica para, em seguida, serem transportados para os canteiros de obra, onde passam pelas etapas de montagem e acabamento. A novidade foi anunciada no final do ano passado e é a aposta da empresa para atender não só à demanda por habitação popular nas nove regiões metropolitanas em que atua, como também em cidades pequenas e médias. “O modelo de negócio que desenhamos em 2012 está próximo do seu potencial pleno”, diz Osmo. “Ainda que a gente o execute muito bem, não conseguiríamos continuar crescendo.”

Para viabilizar o novo modelo de negócio, uma equipe se dedica exclusivamente ao projeto de construção off-site desde o final do ano passado no centro de inovação da Tenda na região de Campinas, no interior de São Paulo. Os primeiros resultados foram anunciados em outubro deste ano, quando, depois de inúmeras rodadas de prototipagem, a empresa divulgou uma casa-modelo que será referência para seus primeiros projetos-piloto. Se tudo sair conforme o planejado, o novo projeto deve ampliar a capacidade construtiva da Tenda, que passaria das atuais 18.000 unidades por ano para mais de 60.000. “Nossa meta é liderar a industrialização da construção civil no Brasil. E o próximo ciclo de crescimento passará pela construção off-site”, diz Osmo.

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