Eletroeletrônico

As loucuras do Aldo continuam, agora apoiadas na internet

Apesar da pandemia, a ALDO COMPONENTES ELETRÔNICOS, do Paraná, prevê um crescimento de “apenas” 80% das vendas neste ano graças ao impulso dado pelo comércio eletrônico

Postado dia 18/11/2020 por VALDIMIR BRANDÃO
As loucuras do Aldo continuam, agora apoiadas na internet

Aldo Teixeira, presidente da empresa que leva seu nome: crescimento com geradores de energia solar / Foto: Germano Lüders

No fim dos anos 1980, numa antecipação do que seria o e-commerce, a Aldo Componentes Eletrônicos, de Maringá, no Paraná, lançou uma revista com o chamativo nome de "Loucuras do Aldo", apresentando produtos, ofertas, informações técnicas e notícias. A revista era distribuída com um formulário de pedidos dentro e exibia um número 0800, de fax, para que as encomendas pudessem ser feitas sem custos telefônicos. “Naquela época, era muito caro fazer ligações interurbanas”, conta Aldo Pereira Teixeira, fundador e presidente da empresa, que não tinha vendedores, mas digitadores para registrar os 500 pedidos que chegavam diariamente. Ela fornecia, então, produtos como agulhas de toca-discos, válvulas e tubos de televisores.

De lá para cá, o mix se alterou bastante, mas as “loucuras” continuam. Não é difícil pensar nesses termos quando se olha para o balanço da companhia, que registrou alta de 133% no faturamento em 2019, atingindo 1,2 bilhão de reais. O responsável pelo crescimento é o mercado de geradores de energia solar, no qual a empresa atua desde 2015. Este ano, a pandemia esfriou um pouco os negócios e a alta projetada das vendas é de “apenas” 80% em relação ao ano passado. “No ano que vem, deveremos retomar o ritmo de crescimento de 2019”, projeta Teixeira.

Se o produto agora é outro, o formato comercial se mantém, em essência, semelhante aos tempos da velha revista impressa, mas com as devidas atualizações tecnológicas. O comércio eletrônico responde por 87% das vendas, e a empresa continua praticamente sem vendedores. Por meio do portal, os clientes obtêm as configurações adequadas para suas demandas, recebem orçamentos, contratam crédito (a Aldo tem parceria com o banco Santander), fecham as compras e se relacionam com a empresa por meio de programas que têm nomes como Aldo Crazy Manager ou Aldo Crazy Card. As vendas não são feitas para consumidores finais, apenas para os 10.000 revendedores em todo o país.

Para sustentar crescimento tão rápido, a Aldo montou um aparato logístico capaz de articular complexidade e volumes cada vez maiores. A empresa importa as partes dos geradores solares – peças como painéis, inversores e cabos – de diversos fornecedores da Ásia e Europa. Uma parceria com o porto paranaense de Paranaguá permite o rápido desembaraço aduaneiro e o uso de estruturas de armazenagem do próprio local. As peças saem dos armazéns para Maringá embarcadas em 25 contêineres por dia.

Na sede, os geradores são montados de acordo com as especificações de cada pedido – a combinação de cerca de 200 insumos permite a oferta de 14.000 configurações diferentes. Todo o processo é automatizado, da concessão de crédito à expedição. De acordo com a empresa, um gerador é despachado a cada três minutos, em média. Eles são entregues ao cliente final, poupando o revendedor de estoques. O alto grau de automação e o comercial enxuto permitem à empresa ter relativamente poucos funcionários – são 155 atualmente –, o que garante a melhor relação setorial de riqueza por empregado.

Os geradores solares são responsáveis por 90% do faturamento. O restante vem das áreas de TI – a Aldo é montadora e distribuidora de computadores com tecnologia Intel desde 2007 – e drones. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, a potência instalada vem dobrando no Brasil a cada ano, considerando tanto os projetos de geração centralizada (grandes usinas) quanto os de geração distribuída, em que os painéis são instalados nos telhados de casas ou empresas. O crescimento é atribuído ao rápido retorno do investimento e ao apelo da sustentabilidade. Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, 90% dos brasileiros entrevistados gostariam de produzir a própria eletricidade renovável. Em agosto, o governo cortou impostos de importação de diversos equipamentos de geração solar para estimular ainda mais o setor. “O mercado vai crescer em ritmo acelerado mais uns 10 anos”, projeta Teixeira. Ao que tudo indica, os próximos anos serão uma loucura.