Bens de Consumo

Aos 50 anos, a Aurora Alimentos bate marca histórica em vendas

No ano de seu cinquentenário, a AURORA ALIMENTOS superou a marca de 10 bilhões de reais em vendas e revê — para cima — suas projeções para 2020

Postado dia 18/11/2020 por HUMBERTO MAIA JUNIOR
Aos 50 anos, a Aurora Alimentos bate marca histórica em vendas

Neivor Canton, vice-presidente da Aurora Alimentos: expansão contínua desde 2010 / Foto: Germano Lüders

Em 2019, a Aurora Alimentos comemorou 50 anos e tratou de investir na produção em vez de sentar e festejar o recorde nas receitas – a cooperativa superou pela primeira vez a marca de vendas acima de 10 bilhões de reais. Fundada em 1969, a Aurora dobrou a capacidade do frigorífico localizado na sede da empresa, em Chapecó, no oeste de Santa Catarina, dando à unidade capacidade de abate de 10.000 suínos por dia e gerando 211 produtos. O frigorífico se tornou a principal unidade de processamento de suínos da América do Sul. Os resultados dos investimentos estão sendo colhidos em 2020, um dos anos mais desafiadores para empresas de todos os setores. A projeção inicial de faturamento, de 12 bilhões de reais, foi revista —para cima. A nova meta gira em torno de 14 bilhões de reais. Se confirmada, será um aumento de quase 30% em relação ao ano passado. Nada mau para uma cooperativa que vê as receitas subirem de forma ininterrupta desde 2010.

O que está puxando esse aumento num ano de recessão na economia brasileira é o mercado chinês. Desde o surgimento da peste suína africana, que dizimou o rebanho da China, o maior consumidor do mundo de suínos inflacionou o mercado global. Em 2020, as exportações da Aurora aumentaram em 25%. Em receitas, o aumento é de 50%. A China responde por pouco mais de um terço do volume e metade da receita. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em 2018, a China importava menos de 25% do total de suínos exportados pelos frigoríficos brasileiros. Em 2020, são quase 50%.

O mercado interno também tem surpreendido positivamente. As vendas aumentaram 5% e as receitas, 10%. O auxílio financeiro do governo aos brasileiros que perderam a renda na pandemia foi fundamental. “O setor foi chamado à responsabilidade de manter a produção e, a despeito das dificuldades, os níveis foram mantidos”, diz Ricardo Santim, presidente da ABPA. De fato, apesar do medo de desabastecimento nos mercados — simbolizado pelas filas de pessoas com os carrinhos abarrotados de papel higiênico —, até agora a produção se manteve.

Apesar dos bons resultados, o ano tem exigido muito da Aurora e das demais empresas do setor. Para continuar produzindo e meio à quarentena, os frigoríficos tiveram de adotar um protocolo rígido para evitar a disseminação do vírus. Não saiu barato. Santim diz que os maiores frigoríficos gastaram até 100 milhões de reais para adaptar as fábricas ao “novo normal”. Mas nem isso livrou as empresas de apuros. Os casos de contaminação arranharam a imagem de diversos frigoríficos. Em agosto, o governo da cidade chinesa de Shenzhen declarou ter detectado coronavírus num lote de frangos da fábrica da Aurora de Xaxim, em Santa Catarina. A cooperativa afirma ter confiança de que seu processo produtivo é isento da presença de vírus, mas decidiu interromper temporariamente suspender os embarques de carne de frango da unidade de Xaxim para a China, até que o episódio relatado em Shenzhen seja esclarecido. Até o início de novembro, as exportações continuavam suspensas.

A cooperativa catarinense tem outros desafios pela frente. Um dos principais é que alta do dólar, se favoreceu as vendas ao exterior, também impactou nos custos. O milho e o farelo de soja, usados na alimentação de frangos e porcos, respondem por cerca de 60% dos custos totais de produção. Segundo Santim, os aumentos em 2020 estão quase 70% mais altos.

Para manter as margens num contexto de custos em alta, a saída é obter ganhos de produtividade. No caso da Aurora, uma das estratégias é avaliar a lucratividade de cada um dos cerca de 800 itens fabricados. Recentemente, 12 deles foram descontinuados em função das baixas margens. “O produto pode ser bom, mas, se não houver volume que permita ganhos, não tem porque manter a produção”, diz Neivor Canton, vice-presidente da Aurora. (Ele assumiu interinamente a presidência após o falecimento do empresário Mário Lanznaster, presidente da companhia, em 18 de outubro.) Um dos exemplos é o leite longa vida. Apesar de a Aurora estar presente em todos os estados, quando se trata de leite, a marca atende apenas 10 mercados – os que permitem uma logística racional, que não corroa as margens.

O desafio da Aurora, e de todo o setor, é se preparar para a normalização da produção global de suínos. Quando a gripe suína deixar de ser um problema, a expectativa é de queda das exportações. Outro adversário é a pressão dos países importadores sobre a questão ambiental brasileira. Em tempos de ESG, sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa, as marcas que não demonstram engajamento com a preservação ambiental têm perdido — e devem perder ainda mais — mercado. “Os olhos do mundo estão voltados para nós e o assunto nos preocupa”, diz Canton.

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