Farmacêutico

Parcerias: a estratégia da Roche para continuar inovando

Para o laboratório suíço ROCHE, dividir custos e compartilhar conhecimentos é o melhor caminho para tornar os medicamentos mais acessíveis à população

Postado dia 18/11/2020 por ANA CAROLINA NUNES
Parcerias: a estratégia da Roche para continuar inovando

Patrick Eckert, presidente da Roche: busca de um tratamento para a covid-19 / Foto: Leandro Fonseca

A necessidade de ampliar o acesso da população à saúde, inovar e seguir a trilha da transformação digital — sem que isso impacte significativamente nos custos para a empresa e para o consumidor final — levou o laboratório suíço Roche a buscar parcerias com o setor público e com outras empresas. “Ter um ecossistema mais sustentável e uma postura de criação em parceria com esse ecossistema é o foco da nossa companhia”, diz Patrick Eckert, presidente da Roche no Brasil. “Para nós, está claro que devemos estar à disposição para esse trabalho colaborativo, para que tenhamos respostas mais rápidas aos desafios da saúde.”

Entre os parceiros da Roche estão startups como a Tummi, que presta serviços de atendimento a pacientes e de capacitação de profissionais à distância, modalidade que cresceu muito este ano com a pandemia da covid-19. Outro parceiro é o Instituto Tellus, que desenvolveu soluções para melhorar a eficiência no serviço público de saúde, como um trabalho feito com a prefeitura de Cotia, na região metropolitana de São Paulo, onde implantou um projeto-piloto de melhorias de gestão em uma unidade básica de saúde. A Roche mantém parcerias também com o governo federal, com o qual firmou um acordo de transferência de tecnologia de um medicamento usado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no tratamento do câncer de mama. O setor público de saúde responde por 28% do faturamento da farmacêutica no Brasil, país que representa 40% das vendas da Roche na América Latina.

Outra frente de parcerias se dá em uma área que começa a ganhar fôlego dentro da empresa: a medicina personalizada. A Roche se uniu a outras cinco farmacêuticas, à startup Foundation Medicine e a três hospitais públicos para um projeto de sequenciamento genômico voltado ao tratamento do câncer. O objetivo é criar uma grande rede de dados em saúde no país. Para essa iniciativa, a companhia está direcionando 8 milhões de reais. “É a forma mais eficiente de garantir que o paciente vai ter o tratamento certo no momento certo”, diz Eckert, lembrando que esse tipo de solução evita desperdícios e desgastes para o paciente.

Para Eliane Kihara, líder do setor de saúde da consultoria PwC Brasil, cada vez mais a indústria farmacêutica caminha para trabalhar em parcerias para dividir custos e compartilhar conhecimentos – um movimento acelerado pela pandemia do novo coronavírus, que uniu até mesmo empresas concorrentes. “Todos na cadeia farmacêutica se deram conta de que não é possível mais trabalhar se não tiver colaboração”, diz Kihara. Segundo ela, a indústria farmacêutica foi uma das poucas que conseguiram manter este ano a rentabilidade, apesar de sofrer com o aumento do dólar. “É um desafio para todas as farmacêuticas, não só no Brasil, de reduzir o custo ao mesmo tempo em que necessitam investir em pesquisa e desenvolvimento, em um setor cada vez mais especializado.”

A Roche não está diretamente envolvida nas pesquisas para obter uma vacina contra a covid-19, já que não atua com imunizantes, mas o laboratório se dedica agora a encontrar, entre seus medicamentos, uma combinação que ajude no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus. São quatro estudos em andamento, que pretendem tratar pacientes que já foram infectados e reduzir o risco de complicações e a necessidade de UTI. A Roche desenvolveu testes para identificar se uma pessoa foi infectada com o coronavírus e se possui anticorpos contra a doença. Além disso, colaborou com doações que ultrapassaram 5 milhões de reais durante a pandemia. Esse montante incluiu, além de cestas de alimentação para comunidades carentes, o álcool em gel produzido por sua fábrica no Rio de Janeiro. Cerca de 6.000 unidades do produto foram entregues ao governo estadual para distribuição na rede de saúde pública.

O grande mercado para a Roche é a oncologia, área em que é líder mundial. A empresa destina cerca de 20% do seu faturamento global para pesquisa e desenvolvimento de novas soluções para combater o câncer. A empresa vem investindo também em medicamentos para doenças raras, como hemofilia e esclerose múltipla. Os novos tratamentos são resultado de um aporte de 685 milhões de reais nos últimos quatro anos para pesquisa e desenvolvimento, sendo 256 milhões de reais apenas no ano passado, em áreas como tratamento de Alzheimer, câncer e doenças raras.