Química e Petroquímica

A EuroChem vê terreno fértil para expandir negócios no país

De olho no potencial do agronegócio brasileiro, a EuroChem conclui a compra da FERTILIZANTES TOCANTINS e tem a meta de dobrar as vendas no país em quatro anos

Postado dia 18/11/2020 por BRUNO TORANZO
A EuroChem vê terreno fértil para expandir negócios no país

Lieven Cooreman, presidente da EuroChem Fertilizantes Tocantins: crescimento de dois dígitos / Foto: Leandro Fonseca

Em 2016, a EuroChem, uma das maiores produtoras de fertilizantes do mundo, adquiriu o controle da Fertilizantes Tocantins, que tem nove fábricas distribuídas por regiões agrícolas que mais crescem no Brasil. O negócio foi concluído em agosto de 2020, quando a EuroChem, uma empresa de capital russo com sede na Suíça, comprou a participação remanescente do ex-sócio e CEO José Eduardo Motta, que fundou a Fertilizantes Tocantins em 2003. A operação resultou na escolha de um novo presidente, o executivo belga Lieven Cooreman. A opção por um executivo europeu demonstra a estratégia da EuroChem de integrar seus mercados de atuação. A empresa é uma das poucas no mundo que produzem os três nutrientes básicos – nitrogênio, fósforo e potássio, também conhecidos como NPK – utilizados na fabricação dos fertilizantes. O nitrogênio é responsável pelo desenvolvimento das plantas. Os outros dois elementos corrigem o solo para deixá-lo fértil.

A produção de NPK da EuroChem está concentrada na Ásia e na Europa, principalmente na Rússia. O mercado brasileiro é considerado de enorme potencial para a distribuição dos seus fertilizantes e de cada um dos elementos do NPK. Isso porque o país reúne condições únicas: é altamente dependente das importações de fertilizantes e tem uma das agriculturas mais desenvolvidas do mundo. “O consumo de fertilizantes no Brasil cresce mais do que a média mundial. Na nossa operação, o país é canal preferencial de venda”, diz Cooreman. Em 2019, a Fertilizantes Tocantins faturou 1 bilhão de dólares, um crescimento de quase 50% em relação ao ano anterior. A empresa, agora rebatizada de EuroChem Fertilizantes Tocantins, tem apresentado crescimento de vendas de dois dígitos há sete anos seguidos. “O objetivo é dobrar a distribuição em quatro anos, atingindo 8 milhões de toneladas em 2024”, diz Cooreman.

Um dos motivos para esse otimismo está no desempenho do agronegócio neste ano, um dos setores da economia que menos sentiram o impacto da pandemia do coronavírus. No primeiro semestre, o PIB da agropecuária cresceu 1,6%, na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com o IBGE. No segundo trimestre, no momento mais crítico da pandemia, a agropecuária apresentou variação positiva de 0,4%.

A explicação para esses resultados é que o Brasil continuou fornecendo alimentos para o mercado interno e para outros países. Nos planos de emergência, as autoridades municipais, estaduais e federais priorizaram a manutenção do abastecimento, classificando a atividade agropecuária como essencial e garantindo o fluxo nas rodovias para escoamento da produção. “Estamos entre os maiores produtores de proteína vegetal do mundo. Isso só é possível por causa do acesso ao NPK, que garante a fertilidade do solo”, diz João Luiz Zuñeda, diretor da MaxiQuim, consultoria especializada na indústria química. “Como não há incentivo para produção interna, esses nutrientes vêm em sua maioria de fora.”

Nesse contexto, por oferecer preços competitivos, já que produz a matéria-prima, a EuroChem Fertilizantes Tocantins tem uma vantagem. Para este ano, inclusive, na contramão do mercado, não reviu para baixo as projeções de venda. Ao contrário: encontrou oportunidade para vender mais. “Nosso orçamento de volume de vendas cresceu 5%. Em junho, identificamos essa possibilidade, motivo pelo qual refizemos a projeção”, diz Cooreman.

De acordo com o executivo, 60% da entrega de fertilizantes ocorre no segundo semestre. Neste cenário de pandemia, garantir a distribuição foi desafiador e exigiu um planejamento diferente. O fato de a empresa ter adotado medidas protetivas, como testes rápidos a cada dez dias nos funcionários para detecção da covid-19, diminuiu os riscos de interrupção das atividades.