Serviços de Saúde

A Central Nacional Unimed quer médico mais perto do cliente

Com o plano Personal, a CENTRAL NACIONAL UNIMED propõe que a saúde de cada paciente seja monitorada de forma contínua por um clínico familiarizado com seu histórico

Postado dia 18/11/2020 por ÉRICA POLO
A Central Nacional Unimed quer médico mais perto do cliente

Alexandre Ruschi, presidente da Central Nacional Unimed: é preciso ir além de tratar uma doença / Foto: Débora Benaim

O comportamento diante da própria saúde é enraizado no país: as pessoas que buscam atendimento médico costumam fazê-lo quando há um problema pontual e geralmente vão a um pronto-socorro ou ao médico especialista. Feitos os exames e tomados os medicamentos, é dada por encerrada a questão. Mesmo entre os doentes crônicos, há quem siga a prescrição médica por um tempo e volte a monitorar o problema apenas quando o mal-estar ou a dor reaparecem. Mas, para que o sistema de saúde pública e suplementar deem conta da demanda de modo a melhorar a experiência das pessoas em um país que envelhecerá significativamente ao longo da próxima década, é necessária uma transformação cultural.

“Cuidar da saúde é muito mais do que tratar uma doença”, diz Alexandre Ruschi, presidente da Central Nacional Unimed, operadora que integra o Sistema Unimed. Em 2019, a companhia faturou quase 1,2 bilhão de dólares, um crescimento de 44% sobre o ano anterior, e obteve um lucro de 63 milhões de dólares. Os resultados são em parte efeito da transformação em curso desde 2017 e que envolve, entre outras frentes, mudanças no modelo de operação e investimentos em tecnologia. De acordo com uma pesquisa encomendada pela cooperativa ao Instituto de Pesquisas 121 referente ao primeiro trimestre deste ano, oito em cada dez clientes se mostraram satisfeitos com o atendimento. Em meio às novidades, uma estratégia assistencial passou a integrar a carteira de produtos, batizado de plano Personal, e vem ganhando espaço. A alternativa é pautada no modelo de Atenção Primária à Saúde — padrão implementado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e consolidado em vários países europeus.

A ideia é acompanhamento. O primeiro passo do paciente será abordar o clínico geral destinado a monitorá-lo, em vez de correr ao pronto-socorro de um hospital ou a um médico de alguma especialização. A ação ocorre em outra direção, já que o cliente é procurado pelas clínicas da Central Unimed que operam nesse modelo com o objetivo de coletar informações, compreender necessidades e realizar monitoramentos periódicos. São sete estruturas, atualmente, localizadas na capital paulista, na região do ABC e em Salvador. “É como ter o médico de família”, diz Ruschi. O formato contribui para que haja melhor gestão da saúde das pessoas, já que o profissional responsável passa a ter ampla visão de históricos médicos. Na maioria dos casos, segundo Ruschi, esse médico consegue resolver o problema no primeiro atendimento.

A difusão do entendimento de que saúde é mais do que tratar uma doença tem sido trabalhada de modo amplo, à parte do produto da carteira. O recado foi passado pela cooperativa em ações de reposicionamento de marca. Em 2019, por exemplo, foram patrocinadas na capital paulista exposições urbanas, aulas de yoga gratuitas em parques, aquisição de direitos de nome do Teatro Unimed e UnimedHall, entre outras iniciativas.

Na frente tecnológica, a empresa investiu mais de 70 milhões de reais no ano passado para atualizar e integrar plataformas e agregar soluções para atendimento e segurança de dados. Tudo isso ajudou na preparação estrutural relacionada ao tema debatido há anos no setor, a regulamentação da telemedicina. A legislação foi autorizada em 2020 em caráter emergencial por causa da pandemia da covid-19. Com as alterações, a Central Nacional Unimed pôde montar com rapidez uma célula de atendimento à distância para casos de coronavírus. Houve ganho de agilidade na ponta de atendimento, por meio de telemonitoramento e teleconsultas, e para a gestão de leitos.

A melhoria de gestão da saúde do paciente é uma necessidade crucial no Brasil, avalia Leonardo Giusti, sócio-líder do setor de saúde e ciências da vida da consultoria KPMG no Brasil. O sistema suplementar é fragmentado, complexo, inflacionado e diverso, em um país que detém uma população de 17,7 milhões de idosos — universo que tende a demandar mais esses serviços. Até 2030, o Brasil terá cerca de 30,9 milhões de idosos. Para quem toca esse negócio, evitar exames, procedimentos ou consultas duplicadas se torna cada vez mais importante para melhorar os índices de eficiência operacional e, assim, alcançar o objetivo de atender com mais assertividade os beneficiários. “O modelo pautado em prevenção e acompanhamento de um médico de família é a tendência hoje entre as operadoras no país”, afirma Giusti.