Autoindústria

A carreta da Randon ficou mais inteligente. E o bolso agradece

Com soluções inovadoras para o transporte de cargas, a gaúcha RANDON bate recorde de vendas ao completar 70 anos de história

Postado dia 18/11/2020 por ARLETE LORINI
A carreta da Randon ficou mais inteligente. E o bolso agradece

Daniel Randon, presidente das Empresas Randon: surfando no agronegócio / Foto: Germano Lüders

Em 2019, a gaúcha Randon lançou uma carreta dotada de um eixo elétrico regenerativo, o qual classifica como uma das soluções mais disruptivas no transporte de cargas, ao longo de seus 70 anos de história. De forma simplificada, o sistema permite recuperar a energia gerada pelo veículo durante as descidas e usá-la como suporte nos aclives. “Mudamos a condição da carreta, que passa a propiciar ganhos na operação do caminhão”, diz Daniel Randon, presidente das Empresas Randon. “Dependendo da rota e da carga, pode trazer uma redução de até 25% no consumo de combustível.” O ritmo de inovações na Randon tem sido vigoroso – a estimativa é que cerca de 80% da receita anual da empresa resulte de produtos lançados nos últimos cinco anos.

A Randon Implementos e Participações, que produz os reboques e semirreboques, é a principal empresa do conglomerado gaúcho, respondendo por 45% do seu faturamento. A Randon atua também nos setores de autopeças e serviços, com mais de 20 unidades industriais no Brasil e em outros sete países. Melhor do setor autoindústria, a obteve em 2019 uma receita de 697,6 milhões de dólares, um crescimento de quase 16%, em relação ao ano anterior, enquanto o lucro líquido superou 56 milhões de dólares. “Foi um ano de resultados recordes, em receitas e em volumes de produção”, diz Daniel. “O crescimento do agronegócio e a tendência de redução da taxa de juros contribuíram para a renovação da frota no Brasil.” Com produtos para o transporte de grãos, fertilizantes, carnes e alimentos em geral, a estimativa é que o agronegócio influencie em mais de 60% a venda de seus implementos.

O mercado interno aquecido do último ano levou a Randon a ampliar em cerca de 30% a sua produção de semirreboques, além de trazer para o Brasil parte da produção de sua fábrica argentina. “Temos um sistema produtivo que permite fazer compensações entre a Argentina e o Brasil”, diz Sandro Trentin, diretor da divisão montadora da Randon. “Quando cai o volume de vendas na Argentina, exportamos para o Brasil, e o contrário é verdadeiro.” No exterior, além da fábrica Argentina, a empresa possui uma operação no Peru. As crises econômica e política em países da América Latina, como Argentina e Chile, acabaram encolhendo em quase 20% as receitas da companhia no mercado externo, que foram de 77 milhões de dólares, em 2019.

Por meio de uma joint-venture com a Triel-HT, do município gaúcho de Erechim, a Randon engordou seu portfólio no último ano. Com a nova empresa, a Randon Triel-HT, ingressou no segmento de implementos rodoviários especiais, tanques em alumínio e isotérmicos. “Aumentamos o portfólio agregando produtos mais personalizados, para novos nichos de mercado”, diz Daniel. Com a nova operação, a Randon passou a disponibilizar mais de 450 modelos de semirreboques para seus clientes. A nova unidade se soma à fábrica de sua sede, em Caxias do Sul, na serra gaúcha, e outras duas filiais, em Chapecó, Santa Catarina, e Araraquara, em São Paulo. Nessa última é onde também produz vagões para trens, um dos segmentos que sofreram quedas acentuadas nos últimos anos, mas que deve ser revigorado a partir de 2021, com as renovações das concessões ferroviárias no país.

Com o agronegócio acelerado e os caminhoneiros nas estradas, a pandemia acabou afetando de uma forma mais suave a Randon. “A tendência é repetirmos o faturamento de 2019”, diz Daniel. “Tirando o segundo trimestre, os outros estão se mostrando positivos.” Um dos diferenciais da Randon está na integração das operações entre as empresas do grupo, que envolve desde a área industrial aos serviços compartilhados, como compras e contabilidade. É esse modelo que tem ajudado a aumentar a produtividade e a competividade de suas empresas, como na Implementos. Enquanto há dez anos a Randon precisava de três funcionários para produzir um semirreboque ao mês, hoje essa relação caiu para um funcionário. Uma das últimas apostas do grupo tem sido na área de serviços, com a criação da Randon Ventures, para impulsionar startups e buscar sinergias com suas operações. “Queremos estar cada vez mais perto do cliente final”, diz Daniel. “Seja com eletrônica embarcada, seja com novas operações digitais, vemos muitas oportunidades de incrementar os negócios via parceiros de startups.” A carreta inteligente é só o começo.

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