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A Beira Rio acha um outro "Brasil" para desbravar

A gaúcha BEIRA RIO amplia o leque de produtos ao estrear no segmento de calçados masculinos e mira expandir as vendas para a América Latina

Postado dia 18/11/2020 por ARLETE LORINI
A Beira Rio acha um outro

Roberto Argenta, presidente da Beira Rio: de olho na América Latina / Foto: Germano Lüders

Depois de mais de 40 anos dedicados à fabricação de calçados femininos, a gaúcha Beira Rio fez, em 2019, a sua estreia no segmento masculino. A empresa ampliou a produção dos tênis de sua marca Actvitta com modelos também para os homens e criou a BR Sport, uma linha exclusiva de sandálias de dedos e chinelos masculinos. Assim, com opções para calçar a família toda, incluindo o público infantil, a Beira Rio comercializou 116,4 milhões de pares de calçados em 2019, cerca de 8% a mais do que no ano anterior. Além de ajudar no aumento do volume de vendas, o tíquete médio do calçado masculino também se mostrou atrativo – entre 30% e 40% superior ao feminino.

Longe de querer abandonar o foco em produtos de moda para os pés femininos, a estratégia da Beira Rio é aproveitar toda e qualquer oportunidade para crescer, dentro de um mercado praticamente estável. No último ano, o consumo de calçados no Brasil aumentou apenas 0,4%, alcançando pouco mais de 821 milhões de pares, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). “O calçado masculino ainda representa menos de 5% do nosso faturamento, mas existe uma similaridade muito grande de produção e de mercado com o produto feminino”, diz Roberto Argenta, presidente da Beira Rio. “Aproveitamos a nossa estrutura produtiva para ampliar o leque de vendas.”

Pelo quarto ano consecutivo, a Beira Rio é a melhor empresa do setor têxtil, com vendas de 702,9 milhões de dólares e um lucro líquido de 91,2 milhões de dólares no ano passado. Enquanto o mercado interno ficou estável, as exportações da Beira Rio cresceram cerca de 18% e responderam por 14% de seu faturamento, no último ano. O grosso de suas vendas externas – em torno de 80% – está concentrado na América Latina. A maior parte da expansão se deu para países da América Central, como Panamá, Costa Rica e República Dominicana, e para o México, Peru e Colômbia. “Temos ainda muito espaço para crescer na América Latina”, diz Argenta. “Em tamanho de mercado, é quase um outro Brasil.” A venda externa se dá nos moldes da brasileira. O predomínio é de calçados voltados, principalmente, para a classe média, com valores entre 59 e 79 reais e conceitos universais de moda.

Diferentemente de outros grandes fabricantes do setor, que possuem canais de venda direta ao consumidor, sejam lojas físicas, seja comércio on-line, a Beira Rio depende da distribuição de suas marcas em cerca de 26.000 pontos de venda. Para ajudá-los a atingir o consumidor final de seus calçados, a Beira Rio oferece vários serviços, que vão do treinamento das equipes de venda ao material de exposição dos lojistas. Entre as novidades recentes, a empresa passou a oferecer aos seus clientes lojistas o BR Poste Fácil, um aplicativo de conteúdo digital, com fotos e informações sobre lançamentos, tendências e diferenciais dos calçados. A proposta é abastecer os seus clientes com conteúdo para uso em redes sociais e lojas virtuais, facilitando a presença digital e a comunicação com os consumidores. “Sentimos que os pequenos e médios lojistas não têm estrutura para produzir conteúdo, na velocidade que o mercado exige”, diz Maribel Silva, diretora comercial e de marketing da Beira Rio. “Criamos uma uniformidade de comunicação, que resulta em vendas para os nossos clientes.”

A busca de canais alternativos ao varejo físico acabou sendo impulsionada, neste ano, pela pandemia, que derrubou também as vendas do setor calçadista. Na estimativa da Abicalçados, a redução da produção da indústria brasileira de calçados poderá chegar a 30%, em 2020. Com dez unidades fabris, em oito municípios gaúchos, a Beira Rio também viu a sua produção encolher e os estoques aumentarem por causa da pandemia. Além de reduzir a jornada de trabalho, as demissões alcançaram quase 25% de seu quadro de funcionários, incluindo as que resultaram de uma fábrica que incendiou, em março deste ano. “Procuramos ser mais eficientes e nos adaptar à crise”, diz Argenta. “Mas já pensamos em readmitir algumas pessoas.” A esperança é que o pior já tenha passado.

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