Indústria Digital

A atuação quase invisível da Unisys na transformação digital

Atuando na retaguarda de outras empresas para garantir a segurança das informações, a UNISYS avança com as novas demandas trazidas pela pandemia da covid-19

Postado dia 18/11/2020 por BRUNO TORANZO
A atuação quase invisível da Unisys na transformação digital

Mauricio Cataneo, presidente da Unisys: segurança digital para clientes / Foto: Germano Lüders

Sete em cada dez transações de crédito imobiliário no Brasil são processadas pela empresa de tecnologia Unisys. Os contratos de alienação fiduciária (modalidade de financiamento em que o devedor transfere a propriedade de um bem ao credor enquanto não termina de pagar sua dívida) vão para a base de informações da empresa, que faz a gestão deles durante sua vida – 15 anos em média, tempo necessário para que o consumidor pague todas as parcelas. A indústria do crédito é somente uma das muitas atendidas pela Unisys, que também presta serviços para governos. Como atua de forma quase invisível na segurança das informações de outras empresas, a maioria dos consumidores não se dá conta de que está interagindo com as soluções da Unisys.

Em 2019, a multinacional americana faturou 172 milhões de dólares no Brasil e registrou um crescimento de 9,5% na linha de serviços — o melhor desempenho desde 2013. No terceiro trimestre deste ano, em comparação com o anterior, cresceu 12,9%. E, ao contrário da maioria do mercado, o segundo trimestre — auge do isolamento social no Brasil — não foi de fundo do poço, mas de estabilidade. O motivo para esse resultado é a chamada transformação digital, movimento iniciado pelas companhias nos últimos anos e que foi impulsionado pela pandemia da covid-19. A quarentena fez com que as empresas deslocassem às pressas seus funcionários para o trabalho remoto. Além disso, as pessoas — até mesmo aquelas pouco familiarizadas com o ambiente on-line — tiveram que recorrer ao digital para resolver praticamente tudo.

“Engajamos nas conversas com nossos clientes para manter suas operações funcionando. Para isso, utilizamos como exemplo nossa própria operação. Em apenas oito dias, movemos em todo o mundo quase 20.000 colaboradores para o home office”, diz Mauricio Cataneo, presidente da Unisys. “Isso foi possível porque já tínhamos a tecnologia implantada, já que concluímos no ano passado a migração de todas as informações para a nuvem.”

Para 2021, a aposta da Unisys é a consolidação da cultura digital em todos os setores da economia. “Enxergamos oportunidade na migração para a tecnologia de nuvem”, diz Cataneo. “Esse armazenamento dos dados exige atenção com a segurança por meio da utilização de ferramentas oferecidas pela inteligência artificial para identificar potencial invasor do sistema.”

A segurança dos dados precisa estar no centro de qualquer transformação digital, considerando inclusive que está em vigor desde o dia 18 de setembro a LGPD, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. As empresas e o poder público devem proteger os dados que armazenam para evitar que sejam expostos por meio de incidentes de segurança. Nos primeiros nove meses deste ano, em escala global, os vazamentos expuseram 36 bilhões de dados, o dobro do número registrado durante 2019 inteiro, segundo a consultoria Risk Based Security. No primeiro semestre, de acordo com levantamento da ClearSale, empresa que comercializa solução antifraude, as tentativas de golpe cibernético aumentaram 63,5% no Brasil.

“Costumamos dizer que não se trata de ‘se’, mas de ‘quando’ o vazamento vai ocorrer”, diz Vanessa Fonseca, diretora de estratégia de segurança e privacidade da consultoria Accenture. Antes da LGPD, segundo a especialista, a tecnologia da informação ficava no fim da fila para receber investimentos que melhorassem o ambiente de segurança das empresas. “Essa situação mudou, já que boas práticas de TI estão entre as exigências da LGPD”, afirma Fonseca. Para ela, empresas e governos devem manter equipe robusta e interdisciplinar que entenda os impactos da LGPD, com a elaboração de plano eficiente de resposta aos incidentes de segurança.

Para Sergio Paulo Gallindo, o presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a LGPD faz parte de um cenário maior de transformação digital da economia brasileira. “A adoção pelas empresas de novas ferramentas e técnicas de trabalho, bem como de desenvolvimento de soluções e de contato com o cliente, indica novo contexto econômico, que se fundamenta em dados”, afirma.