Siderurgia e Metalurgia

A ArcelorMittal busca a resiliência do aço para dias turbulentos

Depois de parar de produzir durante a pandemia, a ARCELORMITTAL BRASIL retorna gradualmente à normalidade e aposta nas vendas no varejo

Postado dia 18/11/2020 por FRANÇOISE TERZIAN
A ArcelorMittal busca a resiliência do aço para dias turbulentos

Benjamin Baptista Filho, presidente da ArcelorMittal Brasil: lojas para vender aço diretamente ao consumidor final / Alexandre Rezende / Nitro

Em julho deste ano, durante uma doação pessoal de 3,5 milhões de libras (o equivalente a 25 milhões de reais) que fez em prol do desenvolvimento da vacina da Universidade de Oxford para o combate à covid-19, o bilionário Lakshmi Mittal disse uma frase que sinaliza os próximos passos do setor que domina globalmente com sua ArcelorMittal. Um dos 200 homens mais ricos do mundo, o indiano radicado em Londres afirmou que 2020 foi um ano de alerta para que o mundo esteja mais bem preparado para enfrentar as pandemias. “Como todos nós experimentamos, elas podem causar enormes transtornos sociais e econômicos”, afirmou o chairman e CEO da ArcelorMittal, a maior produtora de aço do mundo.

Com operações em 60 países e receita de 71 bilhões de dólares em 2019, a ArcelorMittal despontou como a melhor empresa do setor de siderurgia e metalurgia do Brasil no especial Melhores e Maiores 2020. Embora o Brasil seja o nono maior produtor de aço bruto do mundo, para a ArcelorMittal, o país faz parte da terceira região mais importante para o grupo em prioridade e volume produzido, atrás apenas da Europa e da América do Norte. “Temos um histórico de melhor resultado proporcional na América Latina. Em termos de Ebitda, representamos no grupo mais do que a nossa parcela de produção”, diz Benjamin Baptista Filho, presidente da ArcelorMittal Brasil.

Como a siderúrgica é uma grande fornecedora de aços planos para as montadoras e sua cadeia — caso dos fabricantes de autopeças, escapamentos e rodas —, quando a produção de veículos paralisou por causa da pandemia do coronavírus, a ArcelorMittal também teve que pisar no freio. “E tivemos também a parada dos setores de construção civil, máquinas e equipamentos e eletrodomésticos. Todos pararam repentinamente, e começamos a não mais receber pedidos”, conta Baptista Filho. “Como já tínhamos visto isso acontecer na China e na Europa, tomamos providências muito rápido para ajustar nosso nível de produção ao que podíamos vender.”

O fundo do poço foi o mês de abril. Aos poucos, porém, o mercado siderúrgico iniciou a recuperação. “Desde maio, nossa área de aços longos, impulsionada pela construção civil e pela área de infraestrutura do governo federal, está operando praticamente a plena capacidade”, diz Baptista Filho. Apesar da pandemia, a indústria da construção demonstrou enorme resiliência em continuar as obras. “Isso impulsionou setores correlatos que andavam meio de lado, como os de cimento e de aço”, diz Daniel Sasson, analista de mineração e siderurgia do Itaú BBA.

Durante três meses, a unidade da ArcelorMittal em Tubarão, no Espírito, considerada a mais moderna usina integrada do país, operou com apenas um de seus três altos-fornos. Com a recuperação das encomendas, a empresa voltou a funcionar desse outubro com os três altos-fornos, embora ainda operando com suas capacidades reduzidas. Sozinha, Tubarão responde por 7,5 milhões de toneladas por ano de aços planos (a capacidade instalada total da ArcelorMittal é de 12,5 milhões de toneladas anuais). O aço plano é destinado, sobretudo, às indústrias automotiva, de máquinas e equipamentos, eletrodomésticos e também de embalagens. Da carroceria de veículos às geladeiras e fogões, a ArcelorMittal está presente na vida das pessoas.

Seguindo a tendência mundial de conversar diretamente com seus consumidores, a ArcelorMittal lançou em 2019 uma iniciativa inédita: em um setor tipicamente B2B, tornou-se a primeira siderúrgica no país a abrir uma rede de lojas e a lançar uma loja virtual de venda de aço diretamente ao consumidor final. A empresa inaugurou 11 lojas-conceito e outras 23 em parceria com empreendedores – a expectativa é que o número total de pontos de vendas chegue a 100 até o final de 2021. São mais de 500 produtos e soluções em aço destinados a pedreiros, serralheiros, arquitetos e também donas de casa. As entregas são feitas em todo o território nacional, sem exigência de volume mínimo de pedido. A ArcelorMittal não revela a representatividade do negócio do varejo no total de sua receita, mas afirma que o negócio B2C vai de vento em popa — entre março e abril, as vendas online cresceram 38% em relação aos meses anteriores à pandemia.

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